
Hoje eu passei horas com um amigo de Juiz de Fora no Skype (é, eu tenho usado essa tecnologia).
Esse é amigo daqueles que contam os podres, que jogam na cara as bobagens que fizemos há 15 anos atrás, que riem das nossas gafes e que ainda assim a gente segue a vida amando.
Acontece que esse meu amigo está com uma tremenda dor de cotovelo. E o pior, é que ele sabe que o causador de suas mazelas, é ele mesmo. Meses atrás ele me contou que estava se interessando por uma colega de trabalho. A dita era bonita, inteligente, alegre, enfim, reunia todos os dotes necessários para atrair um carinha gente boa como ele. Eu daria a maior força, iria sugerir que ele a convidasse pra jantar, mas primeiro tive que fazer a pergunta fatal: “Você terminou com a Bel?” (nome fictício). Qual não foi a minha surpresa quando o meu amigo, rapaz de família, honesto, trabalhador, daqueles com quem a gente pode contar a qualquer momento, me disse que não!
A Bel é uma moçoila que ele conheceu na faculdade. Menina esforçada, perdeu o pai cedo e sempre ajudou a mãe, costurando, fazendo artesanato, até que se formou em Biologia. Eles sempre foram um casal que todos achavam o máximo juntos e queriam estar nas bodas.
Acontece que nesse tempo em que estive fora, alguma coisa mudou entre eles. Meu amigo diz que com o passar do tempo, tudo esfriou. Até ai, tudo normal. Triste, mas normal.
Nesse dia, conversamos muito e ele ficou de pensar, esfriar a cabeça e ver o que ia fazer. Como ele sempre foi um menino bom, acreditei que ele ia fazer a coisa certa (que nem eu sabia o que era).
Hoje ele me relatou o embrolho em que se meteu: Começou um affair com a colega de trabalho, sem contar pra ela da Bel. Achou que poderia ser uma coisa boba e passageira (em momento algum pensou nos sentimentos da garota). Acontece, que com o passar dos dias, foi conhecendo melhor a moça e viu que se tratava de uma criatura adorável. Ai as coisas começaram a ficar mais complicadas.
Não conseguia ficar bem em nenhum lugar. O estômago doía, a cabeça rodava, se sentia um crápula. Freqüentava ainda a casa da Bel, viajava com a família, foi a festa de 90 anos da avó. Estava com uma, pensava na outra.
Por que não terminou com a Bel? - eu perguntei – É que não conhecia bem a outra, era novidade, não sabia se podia confiar. Com a Bel, já tinha uma história, uma rotina, amigos em comum, as famílias se gostavam. Escolher a outra significava começar tudo de novo, correr riscos, sair do lugar comum.
Então, por que não contou toda a verdade pra moça? Isso significaria que ela podia ficar com raiva dele, não querer mais vê-lo e isso ele não queria também.
O fato é que o meu querido amigo fez uma grande bobagem. Tentou cozinhar as duas, sumia de vez em quando, não respondia os telefonemas da moça do trabalho e depois aparecia com a cara mais lavada do mundo, como se nada tivesse acontecido. A moça segundo ele, até tentou tocar no assunto, saber o que tava acontecendo (atitude louvável), mas ele se esquivou. Claro que ela cansou.
Partiu pra outra e passou por ele com um carinha mais alto e de ar mais fresco e jovial (provavelmente porque não tinha o fantasma de uma traição nas costas). Segundo as suas próprias palavras, o pior de tudo é que ele nem podia tirar satisfação.Com que direito? E começou a conviver todos os dias com a moça sendo buscada pelo novo amor no final do expediente, recebendo flores e tocando a vida.
Ele pensou que seria melhor assim, pois poderia sair impune e continuar sua vida com a Bel. O que ele não contava era com “a candinha”. Alguém que ele não sabe quem (em Juiz de Fora isso é muito comum), contou em detalhes o caso dele com a moça para a Bel. Essa por sua vez, não se fez de rogada e foi procurar a moça na porta do trabalho. Parece que ia começar a rolar um barraco, mas a turma do deixa disso apaziguou. Ele ficou no meio das duas sem saber o que fazer (nem precisava, já tinha feito o suficiente).
Com isso, ele perdeu a Bel, a família o odeia, aqueles amigos que eram mais próximos dela vão ficar com ela mesmo, seus pais o repreenderam, sua imagem no trabalho está meio riscada, a colega de trabalho (que poderia ser uma boa amiga) não quer vê-lo nem pintado de ouro e eu, com quem ele veio se lamentar, resolvi escrever a sua história. Ele deixou. Disse que ler o que ele fez bem como os possíveis comentários, pode ser uma forma de redenção. Vai saber!
O que me motivou a escrever, foi o fato de essa ser uma história tão comum. Acontece todos os dias, com as melhores pessoas. Todos nós já protagonizamos uma história assim atuando em um dos papéis, ou pelo menos conhecemos alguém que o fez. Sofremos e fizemos sofrer. Nos decepcionamos e decepcionamos os outros. Quando vamos aprender?










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