segunda-feira, 21 de julho de 2008

Os Educadores e a Educação

A fábula abaixo foi escrita por um amigo filósofo e eu a compartilho aqui no blog, por achar que ela diz muito sobre esse momento de realizacões que estamos vivendo com o Global Forum e o Movimento das Cidades pela Educação. Estamos partindo da realidade para uma conquista.


Espero que gostem!


Os Educadores e a Educação

Era uma vez uma família, que vivia na cidade de realidade, estado de ponto de partida, que como as outras famílias vivia seu dia-a-dia em sua casa. Como é de costume, apresentaremos a família pelo seu sobrenome: Os Educadores.
O pai, o sr. Educador trabalhava sem descanso, pois, em sua profissão era necessário ter vários empregos para que o salário cobrisse as despesas mensais. Ele vivia correndo de emprego em emprego e mal tinha tempo de respirar. À noite, quando chegava em casa, tinha sempre algum serviço que trazia consigo e que era sempre urgente. Sua mulher, dona Educadora também trabalhava fora e, além disso tinha que organizar a casa. Era um sufoco. A filha, Educanda, era adolescente e como a maioria dos adolescentes, às vezes ajudava, às vezes não, às vezes estava alegre, às vezes triste, às vezes calada, às vezes falante e quase sempre não sabia os motivos.
Vivia então nessa rotina do dia-a-dia, essa família feliz. Muita coisa incomodava, mas para mudar era mais complicado ainda, então deixa como está.
Um dia esta rotina foi quebrada por uma carta. Não era uma carta qualquer, era a comunicação de que a família havia recebido uma herança: A Mansão da Educação. Que alegria, muitos planos: -Será que é bonita? Será que é espaçosa? Será que vale muito?
Mas onde ficava a tal mansão? Olhando a carta agora em detalhes o sr. Educador anunciou: A cidade se chama Não Sei. Todos estranharam, mas a família dos Educadores não podia deixar a sua herança de lado. O jeito é procurar.
Os Educadores saíram, então, a caminho. Foram até o prédio da Metodologia, departamento de busca, para conversar com os peritos. Na primeira sala encontraram o sr Fisiólogo que os atendeu por entre seus livros de estímulo e resposta. Falaram da Mansão e que desejavam saber como chegar até ela. O dr. Fisiólogo leu a carta rapidamente e perguntou: Qual é a localidade? A família respondeu em coro: Não Sei. Ele levantou e pediu que eles se dirigissem a outra sala. Lá encontraram o dr. Psicólogo, homem observador e calado. Relataram todo o acontecido. Depois de ouvir tudo atentamente o dr. Psicólogo perguntou: E qual é a cidade? A família respondeu: Não Sei. Embaraçado, o dr. Psicólogo perguntou se eles não queriam "conversar sobre isso". A família saiu e, de sala em sala, falaram com economistas, administradores, políticos... Mas ninguém sabia onde ficava Não Sei. Desanimados voltaram para casa e encontraram uma criança, colega de Educanda, filha do casal. A menina contou tudo ao colega que riu muito e disse: Vocês estão perdendo seu tempo. A estrada que vai para Não Sei fica perto de Ponto de Partida e passa por Realidade, de onde vocês saíram. Vocês nunca vão achar a Mansão da Educação sem saber qual o caminho e ele parte da Realidade que é o Ponto de Partida.

Emilio Cunha Amorim

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