sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
PARA LER ANTES DO ANO ACABAR
Se eu pudesse viver novamente a minha vida, trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo do que tenho sido, na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Correria mais riscos, viajaria mais, comtemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida; claro que tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos, não perca o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem ter um termometro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um paraquedas;
se voltasse a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria até o final do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças.
Se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas já tenho 85 anos, é tarde demais
E duvido que conseguisse impor estas idéias aos jovens; a oposição é muito grande
(autoria desconhecida. Atribuído a J.L.Borges, mas possivelmente escrito por Nadine Stair ou Don Harold)
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.

Seria mais tolo do que tenho sido, na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Correria mais riscos, viajaria mais, comtemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida; claro que tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos, não perca o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem ter um termometro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um paraquedas;
se voltasse a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria até o final do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças.
Se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas já tenho 85 anos, é tarde demais
E duvido que conseguisse impor estas idéias aos jovens; a oposição é muito grande
(autoria desconhecida. Atribuído a J.L.Borges, mas possivelmente escrito por Nadine Stair ou Don Harold)
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
O QUE ACONTECEU HOJE???
Hoje é o Dia Nacional do Livro
O Dia Nacional do Livro, 29 de outubro, comemora a fundação da Biblioteca Nacional, que nasceu com a transferência da Real Biblioteca portuguesa para o Brasil. O acervo tinha 60 mil peças, entre livros, manuscritos, mapas, moedas, medalhas, etc., tudo acomodado nas salas do Hospital da Ordem Terceira do Carmo, no Rio de Janeiro.

Em 29 de outubro de 1810, a biblioteca foi transferida e essa passou a ser a data oficial de sua fundação. Até o ano de 1814, os estudiosos precisavam de uma autorização prévia para consultá-la.
O Dia Nacional do Livro, 29 de outubro, comemora a fundação da Biblioteca Nacional, que nasceu com a transferência da Real Biblioteca portuguesa para o Brasil. O acervo tinha 60 mil peças, entre livros, manuscritos, mapas, moedas, medalhas, etc., tudo acomodado nas salas do Hospital da Ordem Terceira do Carmo, no Rio de Janeiro.

Em 29 de outubro de 1810, a biblioteca foi transferida e essa passou a ser a data oficial de sua fundação. Até o ano de 1814, os estudiosos precisavam de uma autorização prévia para consultá-la.
domingo, 10 de outubro de 2010
O BELO DA SEMANA - GERALDO CARNEIRO
O belo dessa semana é o poema de um mineiro e fala de como as nossas certezas e predileções mudam com o passar do tempo e - quem sabe?- conforme a gente vai ganhando sabedoria
Quem Diria
Geraldo Carneiro

ser cético era sonho de consumo
quando eu me consumia sendo jovem,
ser joyce, guimarães ou ser vinicius
no trânsito das musas musicais.
naquele tempo ainda não sabia
que a mim só me cabia ser eu mesmo,
entre as estrelas e as revoluções,
ao menos cá, no cais do coração.
hoje mudei, ulysses de mim mesmo,
procuro milha ilha em Tordesilhas,
uma sereia que me faça bem,
me faça mal, me faça quase tudo.
eu que só tinha o credo dos ateus
quero que a vida voe sempre assim
no piloto automático de Deus.
Quem Diria
Geraldo Carneiro

ser cético era sonho de consumo
quando eu me consumia sendo jovem,
ser joyce, guimarães ou ser vinicius
no trânsito das musas musicais.
naquele tempo ainda não sabia
que a mim só me cabia ser eu mesmo,
entre as estrelas e as revoluções,
ao menos cá, no cais do coração.
hoje mudei, ulysses de mim mesmo,
procuro milha ilha em Tordesilhas,
uma sereia que me faça bem,
me faça mal, me faça quase tudo.
eu que só tinha o credo dos ateus
quero que a vida voe sempre assim
no piloto automático de Deus.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
CINEMA COMO INSTRUMENTO POLÍTICO
O texto é de uma jovem aspirante a cineasta, extremamente talentosa e da qual eu me orgulho muito: Minha filha!!!
A UTILIZAÇÃO DO CINEMA COM INSTRUMENTO POLÍTICO E SOCIAL AO LONGO DA HISTÓRIA
Laura Toledo

Na época o Império Romano, a política denominada "pão e circo" era utilizada pelo governo vigente para desviar a atenção do povo quanto à sua situação econômica e social. Algo parecido foi utilizado na Inglaterra Elizabetana, porém, o instrumento de alienação eram então, as comédias teatrais. Grandes espetáculos, artísticos ou não, sempre foram ferramentas políticas poderosas. Com cinema não seria diferente.
O cinema não é e nem deve ser utilizado como uma mera mídia de distração ou alienação. Eisenstein já via seu potencial político quando, em meio à Revolução Russa, usou seus filmes para difundir os ideais comunistas. Além de propaganda, a história também pode ser impressa na imagens em movimento dos filmes .Já disse Nichols: "Todo filme é documentário". Isso porque nele se reflete a realidade política, social e economica na qual foi realizado.
Ainda visando sua importância política, é fácil perceber na linguagem cinematográfica de movimentos, como o neo realismo, a transformação de privação de recursos em formas de mostrar e evidenciar os problemas vividos na época.
Como instrumento de oposição e resistência, assim como Glauber Rocha com o seu "Terra em transe", o cinema pode ser entendido como forma de se posicionar contra a opressão e a alienação.
A UTILIZAÇÃO DO CINEMA COM INSTRUMENTO POLÍTICO E SOCIAL AO LONGO DA HISTÓRIA
Laura Toledo

Na época o Império Romano, a política denominada "pão e circo" era utilizada pelo governo vigente para desviar a atenção do povo quanto à sua situação econômica e social. Algo parecido foi utilizado na Inglaterra Elizabetana, porém, o instrumento de alienação eram então, as comédias teatrais. Grandes espetáculos, artísticos ou não, sempre foram ferramentas políticas poderosas. Com cinema não seria diferente.
O cinema não é e nem deve ser utilizado como uma mera mídia de distração ou alienação. Eisenstein já via seu potencial político quando, em meio à Revolução Russa, usou seus filmes para difundir os ideais comunistas. Além de propaganda, a história também pode ser impressa na imagens em movimento dos filmes .Já disse Nichols: "Todo filme é documentário". Isso porque nele se reflete a realidade política, social e economica na qual foi realizado.
Ainda visando sua importância política, é fácil perceber na linguagem cinematográfica de movimentos, como o neo realismo, a transformação de privação de recursos em formas de mostrar e evidenciar os problemas vividos na época.
Como instrumento de oposição e resistência, assim como Glauber Rocha com o seu "Terra em transe", o cinema pode ser entendido como forma de se posicionar contra a opressão e a alienação.
sábado, 19 de junho de 2010
SOBRE GENTE!
Eu acho lindo gente inteligente! Muitas vezes achei que, quando a pessoa fala bem, com um vocabulário rico, de forma erudita, sofre uma mutação, se tornando maior, mais bonita, mais atraente. Se escrever um livro, então! Um título de mestre ou doutor, a transformaria, na minha opinião, em uma entidade!

Muitas vezes, me peguei admirando quem citava Beauvoir, Sartre, Santo Agostinho, Rousseau... Se soubesse conversar sobre o Iluminismo, as causas da guerra do Golfo, os impactos econômicos, sociais e culturais da Peste Negra na Europa, a obra de Shaekspeare, e ainda falar sobre a ditadura no Brasil, me conquistava pra sempre.
O problema é que eu não só admirava pessoas assim, como sempre busquei me tornar uma delas, com uma estúpida ilusão de que o meu maior mérito seria o conhecimento. Que as pessoas me admirariam mais e até me amariam mais pelo meu saber. Que besteira!
Nos últimos tempos essa sandice tem melhorado. Que gostar do conhecimento, que nada! A gente gosta é de gente! Uma amiga, paraibana arretada me ajudou a ver isso! Ela me disse que não tem nada melhor do que sentar com um amigo ou um amor e falar bobagem! Ser gente!
Ela tem razão! Quando a gente tá feliz, quer contar é pra gente que vai rir com a gente, que vai pular no nosso pescoço e nos abraçar ou, simplesmente vai nos dar um sorriso de aprovação; Quando a gente passa um perrengue, a primeira coisa que vem na cabeça não é um erudito que faz um discurso divino, mas aquela criatura que nos transmite segurança e conforto só por estar por perto. Se a gente cozinha pra alguém, não quer elogio em latim, ou citações, mas simplesmente uma cara feliz de total satisfação e, se possível, uma boca suja de molho.
Essa semana eu ouvi uma pessoa dizer que morreu e nasceu de novo várias vezes nos últimos 3 anos para se transformar em gente. E essa pessoa é uma das mais inteligentes e cultas que eu conheço! O mais interessante, é que ela estava feliz e leve. Ela disse que gosta da nova pessoa em que ela se transformou. Ela foi salva!
É isso, gente! Não sei ainda expressar muito bem como essas coisas me afetaram. Talvez eu nem precise! O que eu sei é que pensar em ser gente o tempo todo é muito mais confortável! Gente que está com gente bebendo vinho, falando bobagem ou não falando nada! Gente que varre casa, vai no parque, paga conta. Gente que se entristece com filme e se alegra com um parque. Gente que queima a comida, que tem raiva dos outros, fala palavrão de vez em quando. Gente que se entope de comida e tem que ficar com a barriga pra cima porque não consegue respirar. Gente que perde a hora, que fala alto e gosta de filme C.
É lindo alguém falar vários idiomas. De que adianta se não souber dizer o que sente, ou dar uma palavra de conforto? E o sorriso? E aquele abraço que aconchega? E o falar da vida?
É isso que devemos buscar: menos erudição e mais gente. Menos colegas e mais amigos. Menos parceiros e mais amores.
E, como a vida é curta demais e o tempo passa muito rápido, que a gente siga o conselho de Guimarães Rosa e tenha mais coragem. Coragem de mudar, de sair, de ver o mundo, de romper coisas, de assumir coisas, nos afastar de gente que nos faz mal e nos aproximar de gente que nos faz bem. Porque estando com gente que ama a gente, a gente se torna mais gente...

Muitas vezes, me peguei admirando quem citava Beauvoir, Sartre, Santo Agostinho, Rousseau... Se soubesse conversar sobre o Iluminismo, as causas da guerra do Golfo, os impactos econômicos, sociais e culturais da Peste Negra na Europa, a obra de Shaekspeare, e ainda falar sobre a ditadura no Brasil, me conquistava pra sempre.
O problema é que eu não só admirava pessoas assim, como sempre busquei me tornar uma delas, com uma estúpida ilusão de que o meu maior mérito seria o conhecimento. Que as pessoas me admirariam mais e até me amariam mais pelo meu saber. Que besteira!
Nos últimos tempos essa sandice tem melhorado. Que gostar do conhecimento, que nada! A gente gosta é de gente! Uma amiga, paraibana arretada me ajudou a ver isso! Ela me disse que não tem nada melhor do que sentar com um amigo ou um amor e falar bobagem! Ser gente!
Ela tem razão! Quando a gente tá feliz, quer contar é pra gente que vai rir com a gente, que vai pular no nosso pescoço e nos abraçar ou, simplesmente vai nos dar um sorriso de aprovação; Quando a gente passa um perrengue, a primeira coisa que vem na cabeça não é um erudito que faz um discurso divino, mas aquela criatura que nos transmite segurança e conforto só por estar por perto. Se a gente cozinha pra alguém, não quer elogio em latim, ou citações, mas simplesmente uma cara feliz de total satisfação e, se possível, uma boca suja de molho.
Essa semana eu ouvi uma pessoa dizer que morreu e nasceu de novo várias vezes nos últimos 3 anos para se transformar em gente. E essa pessoa é uma das mais inteligentes e cultas que eu conheço! O mais interessante, é que ela estava feliz e leve. Ela disse que gosta da nova pessoa em que ela se transformou. Ela foi salva!
É isso, gente! Não sei ainda expressar muito bem como essas coisas me afetaram. Talvez eu nem precise! O que eu sei é que pensar em ser gente o tempo todo é muito mais confortável! Gente que está com gente bebendo vinho, falando bobagem ou não falando nada! Gente que varre casa, vai no parque, paga conta. Gente que se entristece com filme e se alegra com um parque. Gente que queima a comida, que tem raiva dos outros, fala palavrão de vez em quando. Gente que se entope de comida e tem que ficar com a barriga pra cima porque não consegue respirar. Gente que perde a hora, que fala alto e gosta de filme C.
É lindo alguém falar vários idiomas. De que adianta se não souber dizer o que sente, ou dar uma palavra de conforto? E o sorriso? E aquele abraço que aconchega? E o falar da vida?
É isso que devemos buscar: menos erudição e mais gente. Menos colegas e mais amigos. Menos parceiros e mais amores.
E, como a vida é curta demais e o tempo passa muito rápido, que a gente siga o conselho de Guimarães Rosa e tenha mais coragem. Coragem de mudar, de sair, de ver o mundo, de romper coisas, de assumir coisas, nos afastar de gente que nos faz mal e nos aproximar de gente que nos faz bem. Porque estando com gente que ama a gente, a gente se torna mais gente...
sexta-feira, 18 de junho de 2010
A MÚSICA MAIS LINDA DO MUNDO!
Na minha lista de músicas mais lindas, esta figura em primeiro lugar...
Qual é a mais linda na sua opinião?
Qual é a mais linda na sua opinião?
terça-feira, 1 de junho de 2010
O QUE ACONTECEU HOJE??
Morre Andrei Voznesensky, um dos grandes poetas do 'degelo' soviético
Do site Yahoo
Moscou, 1 jun (EFE).- Andrei Voznesensky, um dos grandes poetas russos e figura emblemática da era soviética pós-Stalin nos anos 1960, morreu hoje em Moscou, aos 77 anos, informaram fontes médicas.
Arquiteto de profissão, Voznesensky publicou seus primeiros poemas em 1958. Seu primeiro livro, "Mosaic" (1960), provocou a destituição do diretor do editorial e levou o poeta ao brilho da popularidade.
Naqueles tempos, os saraus de poesia instigavam grande público na União Soviética, onde o então líder comunista, Nikita Kruschev, criticava o culto à personalidade de seu antecessor no Kremlin, Josef Stalin.
Com a morte do poeta, o presidente russo, Dmitri Medvedev, expressou condolências aos parentes de Voznesensky, informou o escritório do Kremlin. EFE
Do site Yahoo
Moscou, 1 jun (EFE).- Andrei Voznesensky, um dos grandes poetas russos e figura emblemática da era soviética pós-Stalin nos anos 1960, morreu hoje em Moscou, aos 77 anos, informaram fontes médicas.

Arquiteto de profissão, Voznesensky publicou seus primeiros poemas em 1958. Seu primeiro livro, "Mosaic" (1960), provocou a destituição do diretor do editorial e levou o poeta ao brilho da popularidade.
Naqueles tempos, os saraus de poesia instigavam grande público na União Soviética, onde o então líder comunista, Nikita Kruschev, criticava o culto à personalidade de seu antecessor no Kremlin, Josef Stalin.
Com a morte do poeta, o presidente russo, Dmitri Medvedev, expressou condolências aos parentes de Voznesensky, informou o escritório do Kremlin. EFE
quarta-feira, 26 de maio de 2010
HISTÓRIA DE MINEIRO
História de mineiro
Dinah Silveira de Queiroz

Estou sabendo de uma historinha que bem valia um conto e feito por quem a narrou, o contista que anda arrebatando todos os prêmios dos concursos em que se inscreve: Edson Guedes de Morais. É um caso de mineiro. Trata de gente pobre e de filho que veio trabalhar no Rio, prosperou e um dia mandou uma carta ao pai:
Meu pai: com a graça de Deus, posso dizer que já tenho economia suficiente para pretender realizar qualquer sonho seu. Minha maior felicidade estará em poder propor : que possa fazer para alegrá-lo? 0 que mais desejaria na vida? Tenho pensado muito em sua luta de sacrificado e não me lembro de tê-lo ouvido falar sobre qualquer aspiração. Não se acanhe, papai, mande dizer se o senhor quiser alguma coisa."
Lá da cidadezinha das Minas Gerais veio uma carta. Daquele homem religioso, devoto de Nossa Senhora Aparecida, austero, confiando nos seus deveres e trabalhos: o homem que jamais manifestara ao filho o seu desejo de possuir, por exemplo, um carro, ou ter um negócio só seu, ou, no mínimo, de adquirir uma lavadeira automática para desafogar o trabalho da mulher :
— "Meu filho, com a graça. de Deus, todos vão com saúde. Não me falta nada. Assim como vivo, vivo bem. Mas se você quiser saber de um desejo que sempre tive fique sabendo agora que toda a vida quis ver o mar. É só isso, meu filho, mais nada."
Tão pouco lhe pedia o pai ! Mandou-lhe o filho a passagem, depois de ter escolhido um bom hotelzinho na Tijuca, freqüentado por gente de pequenas posses, mas pessoas escolhidas — só família, enfim. E o velho chegou com a alegria de ver o filho que realizara o que inúmeras gerações de sua gente não haviam conseguido: ter dinheiro sobrando. Vieram as efusões, as lágrimas. O primeiro dia passou, e, logo no segundo, o filho veio buscar o pai:
Papai, vista-se que eu vou levá-lo a Copacabana. Está na hora de realizar o desejo."
0 velho olhou-o piscando meio trêmulo:
— "Hoje, não. Quero visitar a prima Carlota, que mora aqui perto. Amanhã eu vou".
Chegou amanhã, e o pai, sempre tremendo e piscando, disse que não se sentia bem para ir a Copacabana. No terceiro e no quarto dias também, afirmou que não podia ir e que queria comprar uma lembrancinha para a mulher e para a filha. Alguns dias decorreram e o grande encontro entre o mineiro e o mar foi sendo protelado. Já, então, o filho estava meio triste com aquela estranha atitude do pai e, afinal, desabafou:
— "Parece que o senhor não está querendo mesmo ir ver o mar! Desde que chegou aqui não encontra um dia para realizar aquilo que afirmou ser o único desejo de sua vida!"
0 pai chegou a pegar o chapéu, passou a mão no ombro do filho mas estava tão perturbado, que desta vez, realmente, parecia doente.
— "Meu pai, o que é que o senhor tem? O que há?"
O velho mineiro, de olhos nublados, hesitou. Por fim, largou o peso da verdade de uma vez :
— "Acho uma coisa tão maravilhosa poder ir ver o mar que quero entregar a Nossa Senhora o meu sacrifício. Meu filho, não se zangue. Vou voltar hoje mesmo para casa sem ir a Copacabana".
— "Mas por que, meu pai? Por quê? Nem Nossa Senhora vai aceitar esse seu sacrifício. Todo mundo vê o mar todo dia. Gente há que nem liga, passa pela praia e nem volta o rosto para ele..."
Mas, a essa altura, o velho já ia juntando os seus trens. Nesse mesmo dia voltou para sua cidade das Minas Gerais, levando em sua imaginação a idéia do abismo de assombro que ele jamais encontraria.
Dinah Silveira de Queiroz

Estou sabendo de uma historinha que bem valia um conto e feito por quem a narrou, o contista que anda arrebatando todos os prêmios dos concursos em que se inscreve: Edson Guedes de Morais. É um caso de mineiro. Trata de gente pobre e de filho que veio trabalhar no Rio, prosperou e um dia mandou uma carta ao pai:
Meu pai: com a graça de Deus, posso dizer que já tenho economia suficiente para pretender realizar qualquer sonho seu. Minha maior felicidade estará em poder propor : que possa fazer para alegrá-lo? 0 que mais desejaria na vida? Tenho pensado muito em sua luta de sacrificado e não me lembro de tê-lo ouvido falar sobre qualquer aspiração. Não se acanhe, papai, mande dizer se o senhor quiser alguma coisa."
Lá da cidadezinha das Minas Gerais veio uma carta. Daquele homem religioso, devoto de Nossa Senhora Aparecida, austero, confiando nos seus deveres e trabalhos: o homem que jamais manifestara ao filho o seu desejo de possuir, por exemplo, um carro, ou ter um negócio só seu, ou, no mínimo, de adquirir uma lavadeira automática para desafogar o trabalho da mulher :
— "Meu filho, com a graça. de Deus, todos vão com saúde. Não me falta nada. Assim como vivo, vivo bem. Mas se você quiser saber de um desejo que sempre tive fique sabendo agora que toda a vida quis ver o mar. É só isso, meu filho, mais nada."
Tão pouco lhe pedia o pai ! Mandou-lhe o filho a passagem, depois de ter escolhido um bom hotelzinho na Tijuca, freqüentado por gente de pequenas posses, mas pessoas escolhidas — só família, enfim. E o velho chegou com a alegria de ver o filho que realizara o que inúmeras gerações de sua gente não haviam conseguido: ter dinheiro sobrando. Vieram as efusões, as lágrimas. O primeiro dia passou, e, logo no segundo, o filho veio buscar o pai:
Papai, vista-se que eu vou levá-lo a Copacabana. Está na hora de realizar o desejo."
0 velho olhou-o piscando meio trêmulo:
— "Hoje, não. Quero visitar a prima Carlota, que mora aqui perto. Amanhã eu vou".
Chegou amanhã, e o pai, sempre tremendo e piscando, disse que não se sentia bem para ir a Copacabana. No terceiro e no quarto dias também, afirmou que não podia ir e que queria comprar uma lembrancinha para a mulher e para a filha. Alguns dias decorreram e o grande encontro entre o mineiro e o mar foi sendo protelado. Já, então, o filho estava meio triste com aquela estranha atitude do pai e, afinal, desabafou:
— "Parece que o senhor não está querendo mesmo ir ver o mar! Desde que chegou aqui não encontra um dia para realizar aquilo que afirmou ser o único desejo de sua vida!"
0 pai chegou a pegar o chapéu, passou a mão no ombro do filho mas estava tão perturbado, que desta vez, realmente, parecia doente.
— "Meu pai, o que é que o senhor tem? O que há?"
O velho mineiro, de olhos nublados, hesitou. Por fim, largou o peso da verdade de uma vez :
— "Acho uma coisa tão maravilhosa poder ir ver o mar que quero entregar a Nossa Senhora o meu sacrifício. Meu filho, não se zangue. Vou voltar hoje mesmo para casa sem ir a Copacabana".
— "Mas por que, meu pai? Por quê? Nem Nossa Senhora vai aceitar esse seu sacrifício. Todo mundo vê o mar todo dia. Gente há que nem liga, passa pela praia e nem volta o rosto para ele..."
Mas, a essa altura, o velho já ia juntando os seus trens. Nesse mesmo dia voltou para sua cidade das Minas Gerais, levando em sua imaginação a idéia do abismo de assombro que ele jamais encontraria.
sábado, 8 de maio de 2010
quarta-feira, 21 de abril de 2010
A BELEZA DE CAPITU
Inspirada por umas conversas que andei tendo sobre a Capitu e auxiliada pela Aline que me ensinou a incorporar vídeos no blog, resolvi colocar um pouco de beleza por aqui.
O vídeo da sério Capitu da Globo que é magnífica, utiliza a música Elephant Gun da banda Beirut. Apreciem.
O vídeo da sério Capitu da Globo que é magnífica, utiliza a música Elephant Gun da banda Beirut. Apreciem.
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